Como dito anteriormente, neste tópico explanarei superficialmente sobre a produção de um espetáculo teatral. A visão é básica, de quem ainda está fazendo o curso, pois acredito que na prática é pior ainda rsrs.
Quando se pensa em assistir uma peça o que imaginamos é:
Escolho uma peça em cartaz;
vou até a bilheteria e compro meu ingresso;
aguardo na fila e entro;
assisto o espetáculo e no final aplaudo - ou não;
vou embora refletindo sobre a peça e, se gostar, recomendo aos amigos.
Esta é a parte do espectador. O único trabalho é se deslocar ao teatro e investir um pouco do seu orçamento em cultura.
Mas e o trajeto dos atores, ou melhor dos produtores. Ou por que não atores/produtores já que atualmente tudo se mistura.
Quando se pensa em montar um espetáculo, escolher um texto e ensaiá-lo não é a primeira etapa e muito menos a mais trabalhosa.
A ordem geralmente não é essa mas as etapas são:
Escolher um texto e pagar os direitos autorais para o autor ou para os detentores desse direito. No Brasil um órgão muito importante que controla esses direitos de quem são filiados é a SBAT.
Se o texto é extrangeiro, procura-se o autor até mesmo fora do Brasil.
Mas se o autor morreu há mais de 70 anos esse texto vira domínio público. Ou seja, qualquer um pode montá-lo sem ter que pagar os direitos. Com excessão de textos extrangeiros cuja tradução tenha sido registrada. Aí paga-se o tradutor também.
Os direitos autorais geralmente duram um ano. O que significa que a cia ou grupo pode usufruí-lo por esse tempo. Os valores variam muito para cada autor. Ou é estipulado um valor fechado, ou sobre a bilheteria, ou sobre a porcentagem....
Escolher um teatro: os aluguéis dos teatros no Brasil são caríssimos. Para se ter uma idéia o mais em conta gira em torno de R$200,00 numa noite de segunda feira por exemplo.
E tem que entrar em fila de espera caso o teatro seja muito procurado.
Pagar figurinista, costureira, iluminador, aluguéis de móveis.
Se o grupo for fixo pode-se trabalhar no estilo casamento: na alegria ou na tristeza. Isso significa que os gastos e os lucros são divididos igualmente entre cada membro.
Mas se for um grupo que mude ou convide atores deve-se pagar um sálário para este ator, inclusive para os ensaios já que ele está usando o seu tempo para ensaiar a peça. Preços são discutidos à parte.
E o que dizer dos custos com divulgação, cenário, viagens, alimentação (pois o ator não sobrevive de luz rsrs).
Tudo isso custa muuito caro e um grupo ou cia não tem esta verba.
Então pode-se correr atrás de patrocínios, lei Rouanet, leis de incentivos, etc, etc, etc...
Mas para isso é necessário se ter um projeto teatral. Como um TCC de faculdade mesmo, com informações da peça, imagens, história do grupo, idéia que queremos passar com a peça,etc.....
E são notas, documentos, licenças, contratos...
E para concorrer a esses prêmios ou benefícios em primeiro lugar é necessário que todos tenham o DRT. Inclusive o iluminador. Ou seja, muuuita burocracia.
É claro que esta é uma pequena pincelada sobre o mundo de coisas que acontecem numa produção teatral.
Mas também existem os grupos amadores, que sobrevivem de outras formas de captação de recursos para exibirem seu espetáculos.
Mas o que é bom que todos estejam cientes é o enorme trabalho que se tem para colocar uma peça no palco.
Por isso da próxima vez que for ver um espetáculo, ao final dê um de louco e suba na cadeira para aplaudir todos aqueles que estão em cenas e principalmente, todos aqueles que trabalharam para que ela acontecesse. Ainda mais se foram os mesmos que
fizeram todas as coisas.
E não percam:
Bonitinha mas ordinária - Nelson Rodrigues
Direção: Carolina Costa
Teatro Escola Macunaima
dias 16, 17 e 18 de julho
às 19:00hs e 21:00hs
segunda-feira, 24 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Bastidores de um espetáculo

Quando vamos ao teatro e vemos uma peça nem sequer imaginamos o mundo que aconteceu para que aquelas cenas se desenrolem na nossa frente. É claro que as pessoas do meio e alguns curiosos tem noção disso. Mas a maioria (que é leiga do assunto) não.
Então aqui vai uma pequena explicação do ponto de vista do espetáculo que estou participando na escola.
A escolha do texto e de quem fará os personagens é apenas o começo de grandes e produtivas discussões.
Da leitura da peça até o ensaio final vamos dos extremos do choro às gargalhadas de alegria.
Palavras como: tá ruim, melhora, meu Deus que coisa chata, mudaaaa, não anda, não vira de costas para a platéia, fala mais alto, gritaaaa - escapam ao montes da boca do diretor (no caso professor rsrs).
Suamos, sofremos, nos decepcionamos conosco mesmo, erramos, esquecemos as falas, rimos, desconcentramo-nos...
É estudar o texto em casa, e esquecê-lo no palco.
É pensar nas ações de cada cena e na hora travar e ficar em close como se tivesse uma câmera parada no nosso rosto.
É pensar nos figurinos, objetos dos cenários,iluminação e música para tocar na hora certa. Ou seja, muito trabalho
Mas como dizem meus professores: Se não for por prazer não vale a pena.
Tudo faz parte e aprendemos com cada crítica que ouvimos.às vezes não gostamos e achamos que tudo vai dar errado. Mas na semana seguinte já estamos confiantes de novo.
O resultado final eu não sei no que vai dar, mas desde há muito estou confiante que será uma ótima peça.
Então, da próxima vez que você for a um espetáculo, por mais que você não ache a peça tão legal, por mais simples que ela possa parecer, até mesmo um monólogo, tente apenas imaginar o quanto aquelas pessoas que estão no palco (e outras que não aparecem) suaram a camisa para o show acontecer.
E aplaudam de pé, assobiem e principalmente, se tiverem oportunidade, cumprimentem os atores, pois com certeza perderam muitas noites de sono para que tudo desse certo. E vamos ao teatro!!!
Bonitinha mas ordinária - Nelson Rodrigues.
Direção de Carolina Costa no Teatro escola Macunaíma
Dias 16, 17 e 18 de julho - Às 19:00 e 21:00hs
E aguardem, o próximo tópico sobre a produção teatral, tudo o que acontece antes dos bastidores.
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
Teatro X Futebol
Bom vamos começar com um assunto bem polêmico, aliás a intenção é essa rsrs.
Às vezes me pego pensando: o que leva um ser humano a pagar vinte, trinta, cinquenta e até mais reais para ver 22 caras chutando uma bola? E ainda correr o risco de apanhar, levar cuspe e mijo na cabeça e algumas vezes nem voltar pra casa?
Tudo bem, a idéia não é questionar essa arte idolatrada por todos só porque eu não curto, mas sim fazer um link com a idéia aqui explanada.
Fiquei me questionando isso quando ontem, 02/03/10, fui assistir uma peça. Aliás peça essa que merece um novo parágrafo.
Dois perdidos numa noite suja. Um maravilhoso texto do Plínio Marcos encenado por 2 atores da Cia Triptal.Há um tempinho que queria assistí-la e quando soube que eles iriam fazer uma nova temporada no teatro Sérgio Cardoso não perdi tempo. Chamei uma amiga e fui lá.
Cheguei cedo pois já perdi peça que queria ver por chegar em cima da hora. Mas qual a minha surpresa ao comprar os ingressos vi que mais de 90% dos ingressos ainda estavam disponíveis!!!
E ao entrar na sala para assistir a peça, que por sinal era um ótimo horário para um domingo - 19:00hs, só tinham mais 7 pessoas!!! Sim eu contei! Ah e depois entrou mais uma.
Me senti envergonhado pelos atores. Todo um processo de criação, investimentos, suor e... cadê o público? Tudo bem que muitos reclamam do preço dos ingressos. Mas R$20,00 e com direito a meia entrada é um ótimo valor né!
No final aplaudi e só não fui abraçá-los por falta de intimidade, pois a peça merece cada segundo que passamos dentro da sala.
Agora o jogo do Santos X Santo André....garanto que não tinha mais nenhum ingresso disponível.
Concordo plenamente com meu professor de Produção, o Luis Monteiro. Criar um projeto de lei para que a cada 5 ingressos do futebol o ser ganhe um para o teatro. Se bem que ao contrario seria melhor: assista 5 peças e ganhe um ingresso para o jogo.
O que não ia dar muito certo seriam as torcidas organizadas assistindo uma peça né rsrs.
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